Politeensando Por Enrique Dias

1O, 2O OU 3O ?

Fica muito difícil fazer qualquer análise, usando os números e as estatísticas que são oferecidos pelos órgãos oficiais brasileiros nas mais variadas áreas de atuação, sejam elas, governamentais, sociais ou econômicas.

Nesse universo de dados há números que nos colocam no primeiro mundo, mas também temos

os números que nos qualificam ao mesmo nível dos famélicos países do terceiro mundo.

Toda essa desigualdade está estampada em cores muito vivas e berrantes, está à simples vista de qualquer cidadão brasileiro em qualquer região do país. O Brasil é um país que está há alguns anos entre as 10 maiores economias do planeta. Uma das 10 maiores?! Pois é, para muitos analistas, este dado já seria suficiente para colocar o Brasil no primeiro mundo, mas, infelizmente, o Brasil também contabiliza números que revelam outra realidade.

O que dizer de estarmos entre os 20 países com maior índice de corrupção ativa e passiva em todo o mundo? Também temos os números da fome, da violência, do desemprego, dos sem teto, dos sem terra, dos analfabetos, das doenças terceiro mundistas e muitos outros números que nos colocam nas últimas posições dos países subdesenvolvidos.

Nos anos de 1970 o Brasil foi classificado como sendo um país em desenvolvimento. Por não ser um país desenvolvido e estar dando mostras de criar e realizar super-projetos de infraestrutura, deram essa denominação intermediária, posicionando-o entre os países ricos e os subdesenvolvidos.

Neste período com os governos militares, o Brasil respirou ares de desenvolvimento. O país parecia um imenso canteiro de obras e o dinheiro da banca internacional não parava de chegar. A prosperidade parecia ter se instalado no Brasil, só parecia...

O dinheiro veio fácil, mas a que custo? Foi nesse mesmo período que o Brasil viu a sua dívida externa se multiplicando e se tornando a sangria do seu povo. Os juros cobrados por nossos credores eram quase um estelionato oficializado e não demorou muito para descobrirmos que não tínhamos como pagar a conta.

Foi também neste período que aconteceu o incremento do desvio de dinheiro público. Os militares preocupados em combater a “esquerda armada”2, esqueceram de vigiar a direita parasita

e corrupta. Não havendo o controle necessário, fomos roubados duas vezes. Primeiro pelos bancos internacionais e depois pelos próprios administradores públicos e políticos em geral, tanto os biônicos quanto os eleitos.

Os anos de 1980 foram amargos e sem rumo. O Brasil parecia um barco à deriva. As economias mundiais estavam recessivas, quase ninguém crescia; o Brasil estagnou, mas continuava qualificado como um país em desenvolvimento, o que não acontecia na prática. Nos anos de 1990 vieram grandes tentativas de mudanças comportamentais.

Queríamos sair do marasmo dos últimos anos e nos colocarmos entre os países de tecnologia avançada. Mas ainda estávamos pagando os erros do passado e começamos a viver a fase da “Maria vai com as outras”. Qualquer coisa que acontecia pelo mundo afora refletia em nossa vida e em nossa economia em poucos segundos. Era a globalização que havia chegado e colocado o Brasil e outros países do mesmo porte na linha de frente, tipo um escudo protetor das economias mais fortes, um lastro de segurança para as economias dominantes.

As mudanças na economia brasileira estancaram algumas sangrias criadas ao longo das décadas anteriores. O Brasil começou a se adequar ao modelo exigido pelos investidores internacionais.

Alguns países seguiram na mesma linha e trocaram de rótulo: de países em desenvolvimento para países emergentes.

A primeira década do século XXI foi, digamos, revolucionária. Ninguém acertou as previsões feitas

ao final dos 1990. O Brasil surpreendeu positivamente, além das expectativas, porém, longe ainda de fazer as reformas que realmente nos colocaria definitivamente entre os países mais ricos e desenvolvidos do planeta.

Alguns dizem que temos vários “Brasis” dentro do Brasil. Dizem que essa ou aquela região é que atrasa o nosso desenvolvimento. Concretamente o que mais vemos e constatamos é que as estruturas existentes são arcaicas, frágeis, e politicamente ineficazes.

Os recursos que temos no Brasil, são mais do que suficientes para nos colocar no grupo de elite das nações desenvolvidas, evidentemente, desde que esses recursos sejam corretamente aplicados.

Hoje falar sobre isso é pura utopia, nada é tão simples assim. Vamos das mais altas tecnologias até as mais miseráveis realidades sociais em questão de metros.

Isso mesmo, no Brasil temos o “luxo e o lixo” lado a lado. Vamos da Suíça à Etiópia em um único olhar. Temos um pé na Dinamarca e o outro no Burundi. Decidamos então qual país queremos ser,

pois o atual modelo não deu certo e continuará não dando certo.

Há que se reformar por completo o judiciário, o legislativo e a máquina do executivo. Esse processo inadiável tem que ocorrer conforme as palavras de um ex-presidente: -“Duela a quien duela” (doa a quem doer).

 

 

 

Enrique Dias
Escritor e Palestrante

Facebook: www.facebook.com/enrique.dias.58

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